domingo, 15 de março de 2009

O PROCESSO NEO-TESTAMENTÁRIO PARA ELEIÇÃO DA LIDERANÇA OFICIAL

Na Igreja de Cristo, ninguém possui autonomia para se autonomear apóstolo, bispo, pastor, presbítero, diácono. Todos, sem exceção, precisam ser chamados por Deus para estes ofícios.

O que torna válido um ofício é a vocação, de modo que ninguém pode exercê-Io correta ou legitimamente sem antes ser eleito por Deus. Nenhuma forma de governo deve ser estabelecida na Igreja segundo o juízo humano, senão que os homens devem atender à ordenação divina e, ainda mais, que devem seguir um procedimento de eleição preestabelecido, para que ninguém procure satisfazer seus próprios desejos. Segundo é a promessa de Deus de governar sua Igreja, assim ele reserva para si o direito exclusivo de prescrever a ordem e forma de sua administração.

Segundo o Novo testamento, havia inicialmente apenas dois oficiais na igreja: O bispo e o diácono.

Bispo: oficial principal da igreja local. Era também chamado de ancião ou presbítero (At 20.17,28; Tt 1.5,7) e pastor (Ef 4.11). Os termos "ancião/presbítero" são os mais usados no Novo Testamento. "Pastor" aparece unicamente em Efésios 4.11

“Realmente o título de pastor deveria ser trocado por presbítero ou bispo para ser realmente bíblico. Ocorre que com o advento dos Reformados o título de presbítero perdeu o seu valor bíblico no que foram acompanhados por muitas outras denominações. Presbítero foi rebaixo quase ao que são os diáconos nas Igrejas Batistas da CBB.

Hoje um meninão de 17 anos diz que é chamado para o ministério e lá vai ele para o seminário onde fica aprendendo, ou desaprendendo, em muita teoria e pouca prática, pouca vivência durante quatro ou cinco anos. Saindo com um diploma de bacharel em teologia indo "pastorear" igrejas. E aí é que o "bicho pega", pois quando se está à frente de um ministério se é o alvo preferido por satanás, até "autorizado" pelo Senhor para prová-lo. E esse jovem vai levar alguns anos para aprender na prática o verdadeiro evangelho, isso quando tem vontade e humildade de aprender. Na igreja primitiva ou iniciante, os ministérios eram aprendidos no dia a dia e no seguir o exemplo dos mais velhos na fé. Um presbítero, cuja tradução é ancião, não poderia ser um neófito na Palavra. Teria que ser alguém com aprendizagem na prática do dia a dia gerando novos convertidos, amadurecido e em condições de formar novos discípulos do Senhor Jesus Cristo, para que também pudessem crescer na vida cristã amadurecendo-os no dia a dia para também serem diáconos, ou presbíteros/bispos”. (Ivo Prado – Presbítero).

Não há como precisar quando surgiu o ofício de presbítero. Atos 11:30 registra o termo ao referir-se às igrejas da Judéia. Pouco antes ano 50, vemos Paulo promover nas igrejas da Galácia a eleição de presbíteros (At 14.23). Por volta do ano 62, também os encontramos na igreja de Filipos, juntamente com os diáconos, o que parece indicar algo comum na estrutura da Igreja (Fp 1.1).
Em Atos, vemos que os presbíteros dirigiam a Igreja junto com os apóstolos (At 15.2,4,6,22,23; 16.4). Suas sugestões eram acatadas por estes, como ocorreu com Paulo (At 21.18-26). Aos presbíteros competia também "alimentar" (pastorear, cuidar, apascentar) o rebanho (At 20.28).

Presbítero e bispo constituem, portanto, o mesmo ofício nas páginas do Novo Testamento (At 20.17,28). Embora seja o Espírito quem constitui o bispo, é natural que os vocacionados por Deus se sintam chamados para esse ofício (1 Tm 3.1). No entanto, é preciso ter cautela, como bem alerta Calvino: "Visto ser o mesmo um ofício laborioso e difícil, os que o aspiram devem ponderar prudentemente se são capazes de suportar uma responsabilidade tão pesada".

A eleição aqui descrita parece ter sido feita pelo levantar de mãos. Ainda que não necessariamente (At 14.23; 2Co 8.19). Aliás, este costume não era estranho na Antigüidade. A votação normalmente era feita pelo ato de levantar as mãos; em Atenas por aclamação, ou por folhas de votantes ou pedras. Em caso de desterro, o voto era secreto. A expressão usada por Paulo ao recomendar a Tito que constituísse presbíteros em cada cidade (Tt 1.5) não indica o modo de escolha, mas sim a necessidade de, seguindo a prática da Igreja, "constituir" homens para esse ofício. J. CALVINO, As institutas, Iv.3.12.

Devemos ter cuidado para não fugirmos dos princípios Bíblicos exauridos na Palavra de Deus, o que infelizmente vem ocorrendo em nosso País.

Um comentário:

Ricardo A. dos Reis disse...

O tema é pertinente, visto hoje termos uma avalanche de pessoas buscando tais títulos. Os mais cotados são: "APÓSTOLOS" e "BISPOS". O que me chama atenção é que não há tais registros na história sobre homens que buscavam tais honram (se é que posso chamar de honra)!!!

No período da organização da igreja temos os registro de como foi feito a divisão de função visão a expansão do evangelho no império.

No livro de Atos sabemos que a igreja tinha como sua liderança os apóstolos gerais e os anciãos locais (At 11.30; 15.22). Apóstolos eram os fundadores da igreja, os verdadeiros "pais" da igreja em geral (Ap 21:14), exercendo no início todos os cargos, mas na medida que a igreja crescia, a direção normal de uma congregação local estava nas mãos dos presbíteros (“anciãos”, do grego presbýteros, "mais velho"). O costume de escolher anciãos era uma herança natural da época do Velho Testamento através da sinagoga (Ap 7.11; 24 anciãos, VT+NT).

Por mais que se agumentem não vejo razão para o resgate de tal função, visto não terem a visão neotestamentaria. A busca pela função pastoral perdeu sua essência na cabeça de muitos candidatos, líderes.

Bispos. Surge, então, uma pergunta sobre a palavra "bispo", geralmente não usada em igreja evangélicas. Para responder, o mais fácil é verificar Atos 20.28 (e 17). Paulo havia mandado chamar os presbíteros (presbyteroi) da igreja em Éfeso e disse-lhes que o Espírito Santo os constituiu bispos (episcopoi, supervisores), e que deviam fazer este trabalho como pastores (poimenia). Neste versículo, Paulo aponta para o cargo (o ofício de presbítero), a incumbência daquele cargo (ser bispo, supervisor), e como deve desincumbir-se dele (não como mercenário ou fiscal, mas como pastor de ovelhas (1Pe 5.4). Então, havia três palavras que indicavam a mesma pessoa: presbítero = bispo = pastor. Isto quer dizer que na igreja havia dois ofícios básicos, presbíteros e diáconos.

Em cada século há uma palavra chave: no primeiro século "presbítero", no segundo "bispo", no terceiro "metropolitano", no quarto "patriarca" e no quinto "papa". Para entender este desenvolvimento é bom perceber que no primeiro século apostólico um presbítero é um bispo, mas no segundo século (pós-apostólico) um bispo é um super-presbítero, no terceiro século um "metroplitano" é um super-bispo, no quarto século um "patriarca" é um super-metropolitano e no quinto século um papa é um super-patriarca. Naquela época não se usaria tanto a palavra latina super (cima), mas mais o vocábulo grego archê (principal; nosso arce-). Assim, podíamos dizer que um bispo era um arce-presbítero, um metropolitano era um arce-bispo, um patriarca era um arce-metropolitano, e um papa era um arce-patriarca.

Agora fica a pergunta: Para que BISPO! Para que APÓSTOLOS!